Monday, January 7, 2013

Fazendo nossos alunos participarem mais

Vários estudos mostram que é difícil prestarmos atenção por mais de 15 minutos. Como a aprendizagem de uma língua estrangeira requer o ensino das 4 habilidades (falar, ler ouvir e escrever), é extremamente importante fazer com que nossos alunos participem ativamente das nossas aulas usando essas habilidades.

Já disse aqui que antes de ensinarmos qualquer coisa, seja algum aspecto gramatical ou vocabulário, é importante perguntamos aos alunos se algum deles já sabe o assunto. Dar o poder aos nossos alunos valoriza o conhecimento prévio que eles têm e faz com que os alunos participem mais das aulas.

Uma atividade interessante é fazer os alunos irem ao quadro para escrever diversos tópicos. Quando quero conhecer mais os alunos, escrevo as frases: I love, I like, I don't like e I hate. Circulo cada frase e eu começo escrevendo uma coisa de cada. Quando eu tenho muitas canetinhas de quadro branco (ou giz), empresto canetinhas para 4 alunos. Eles escolhem uma das frases e escrevam algo, depois cada um passa a caneta para outro aluno até que todos tenham tido a chance de escrever no quadro também. Quando eles querem escrever algo mas não sabem em inglês, eles me perguntam e escrevem o que desejam. 

Outra atividade que promove muita participação dos alunos é deixá-los tentar entender o aspecto gramatical em duplas usando o livro usado na aula de língua estrangeira. Ao invés de o professor explicar tudo, deixemos que os alunos tentem compreender de maneira colaborativa. Nesse momento o professor caminha   pela sala ajudando no que for necessário, esclarecendo dúvidas de maneira personalizada.

No momento da correção de exercícios, podemos dar a vez para nossos alunos falarem as sentenças ao invés de o professor falar tudo. Uso a lista de chamada para chamar os alunos para falarem as respostas, um a um. Assim todos os alunos têm a chance de participar. Se a turma tem muitos alunos, eu marco os que falaram em uma aula e chamo os demais para falar na outra.

Tenho certeza que você também tem outras ideias para fazer seus alunos participarem mais das nossas aulas. Que ideias são essas? Você pode compartilhá-las conosco deixando um comentário aqui?

Muito obrigada e até breve!




Sunday, January 6, 2013

Projeto com fotos

Meu amigo e leitor Sindeval me pediu dicas de como fazer um projeto com estrangeirismos. Após pensar nesse tema, algumas ideias surgiram. Uma delas foi a de usar fotos, que podem ser usadas em vários tipos de projetos.

Como o Brasil tem muitas placas com nomes de lojas em línguas estrangeiras, seria uma tarefa fácil encontrar estrangeirismos espalhados pelas cidades. No entanto, muitas palavras estão grafadas com erros e infelizmente alguns dos nossos alunos acabam aprendendo a grafia incorreta.

Uma maneira interessante de fazê-los prestar atenção nessas palavras, seria propor um projeto com fotografias. Os alunos podem ficar em grupos de 4 para executar a tarefa de fotografar essas palavras pela cidade. O produto desse projeto pode ser um blog com as fotos e explicações dos estrangeirismos e correção dos mesmos se estiverem grafados com erros. Outra ideia seria uma exposição dessas fotos em uma Feira Cultural da escola. Para tornar esse trabalho útil, seria interessante fazer uma carta ou email para o dono do estabelecimento avisando que tal palavra deveria estar escrita de outra maneira. Assim a escola cumpriria uma função muito boa de ajudar a comunidade e os alunos fariam algo não só por uma nota, mas para ajudar pessoas.

Essa ideia surgiu após eu lembrar de um projeto com fotos sugerido por meu professor de educação artística - Professor José Leal - quando eu estava no 1o ano do ensino médio. Ele nos pediu para fotografar só as palavras em português que estivessem com erros ortográficos pela cidade. Depois as fotos foram expostas na escola. Não precisa dizer que nós amamos fazer esse projeto!

Acredito que para que a aprendizagem aconteça é necessária a participação ativa dos alunos. De nada adianta fazermos palestras com mil e uma explicações e esperar que nossos alunos aprendam só nos ouvindo durante a aula.

No próximo post mostrarei pequenas atividades que promovem maior participação dos alunos em nossas aulas.

Até breve!

Saturday, January 5, 2013

Aprendendo através da interação com keypals


A interação com keypals (amigos por correspondência) faz com que os alunos aprendam com motivação porque eles se comunicam com alguém que não compartilha de sua língua. Eu mesma aprendi bastante quando troquei algumas cartas com uma amiga alemã. O único problema era que as cartas levavam muito tempo para chegar ao destino e eu já tinha esquecido o que eu tinha escrito.

Para que nossos alunos possam ter essa experiência também, mostro alguns projetos que já fiz desde o ano 2000 com meus alunos crianças, adolescentes e adultos.

Sugiro que os iniciantes adultos comecem experimentando bater papo com um site que usa inteligência artificial para perder o medo de interagir com uma pessoa - http://community.eflclassroom.com/Wpage/chat-bot

Depois de eles ficarem mais seguros, sugiro usar chats como o http://www.englishclub.com/esl-chat/chatroom-1997.htm . Para ler um excelente artigo sobre o uso de chats com alunos de inglês, com vantagens e dicas, entre aqui: http://www.tesl-ej.org/wordpress/issues/volume7/ej25/ej25int/

O próximo passo é encontrar um keypal ou amigo por correspondência. Com alunos adultos, sugiro o www.livemocha.com ou o www.palabea.net que são sites de relacionamento com o objetivo de comunicação usando línguas estrangeiras. O interessante é que vários alunos se engajam tanto que já houve até um casamento entre uma aluna minha e um americano!

Com alunos crianças e adolescentes, sugiro fazer projetos com professores de outros países. Eu já fiz projetos com professores da Rússia, Itália, Estados Unidos, Canadá e Áustria.

Com meus alunos de 8 anos de idade, o tópico da interação foi animal de estimação. Cada aluno desenhou o seu e escreveu um pouquinho sobre seu animalzinho. Depois disso eu escaneei esses trabalhos e enviei para a professora no exterior. Ela fez o mesmo com os alunos dela. Meus alunos amaram ler sobre os animais dos colegas em outro país.

Com outra turma, escrevemos sobre o que comíamos nas refeições. Eles desenharam e escreveram o que comiam em cada refeição. Meus alunos se surpreenderam ao saber que pessoas de outros países comiam alimentos bem diferentes dos nossos e até se empolgaram para comer saladas!

Com outra turma, eles trouxeram postais da nossa cidade e descreveram cada lugar. Esses postais também foram escaneados e enviados para o email de uma professora da cidade de Omsk, na Rússia. Meus alunos gostaram muito de saber que há muita neve na cidade dos amigos e me perguntaram quando iríamos visitar os amigos. Foi então que peguei um globo terrestre e mostrei onde era a nossa cidade e a cidade dos amigos. Eles ficaram surpresos ao ver a distância entre os dois lugares. Nada como aprender geografia assim!

Com minha turma da 3ª série, fizemos um projeto com uma professora da Áustria. Com eles, trocamos cartas. Os alunos ficaram um pouco descrentes com esse projeto porque as cartas com as respostas levaram mais de 2 meses para chegar aqui. Lembro que eles ficavam me perguntando todos os dias pelas cartas mas ficaram muito felizes quando elas finalmente chegaram e cada um recebeu a sua. Lembro de ver o orgulho deles ao lerem cartas todas em inglês.

Também trocamos cartões postais com alunos de um professor italiano, de uma cidade chamada Mazara del Vallo. Até mesmo os pais dos meus alunos ficaram surpresos com esse projeto e amaram ver seus filhos interagindo em inglês.

Para procurar professores de vários países para desenvolver projetos de interação como esses, sugiro o site http://www.epals.com/ . Os projetos podem ser bem simples, usando variados tópicos de acordo com o conteúdo a ser ensinado: apresentação pessoal, rotina semanal, vida escolar, famílias, hobbies, brinquedos favoritos, refeições, filmes, desenhos, livros, futuro e tudo o mais o que a imaginação deixar.

É importante lembrarmos que para aprender uma língua efetivamente é necessário que haja interação. Nada melhor do que as nossas aulas para proporcionar esse contato e ver nossos alunos usando a língua estrangeira com seus novos amigos.

Até breve!  

Friday, January 4, 2013

Exemplos práticos de atividades de produção oral

Para que nossos alunos aprendam a falar o inglês real, é importante que eles vejam vários exemplos de pessoas falando antes através de vídeos, por exemplo. Aliás, devemos sempre lembrar de mostrar exemplos de tudo que pedirmos para eles antes de eles produzirem qualquer coisa.

Por exemplo, antes de eu ensinar meus alunos a como apresentar alguém em inglês, passei a mostrar vídeos com essa situação em vários contextos para ilustrar essa função. O vídeo que uso é esse: http://www.youtube.com/watch?v=NeEJhW0_gqA

Eu também recomendo que os alunos usem em casa o site ELLLO - http://www.elllo.org/ para ouvir pessoas de diversas nacionalidades falando em inglês sobre vários tópicos, desde os mais simples aos mais complexos (de esportes favoritos a prática de suborno em alguns países).

Para alunos iniciantes que estejam aprendendo a falar sobre suas frutas favoritas, pode-se mostrar esse exemplo de diálogo: http://www.elllo.org/english/0151/165-Naju-Fruit.htm Nesse diálogo podem-se notar várias características de língua falada como repetição, uso de marcadores discursivos (ok, oh). Também notamos a estrutura de conversa: pergunta - resposta - comentário.

Para que nossos alunos se familiarizem com outros exemplos de conversa, mostremos estruturas assim, por exemplo:
A: I like your shoes, they are beautiful.
B: My shoes?
A: Yeah, they are beautiful.
B: My mom gave them to me...Yeah, it was last month. Thanks.
A: Sure.
Os livros Touchstone e On Speaking terms mostram muitos diálogos assim.

Mesmo que o livro que você use nas suas aulas não tenha diálogos com características de língua falada, sugiro incluir as palavras (Well, you know, uh, oh, wow e repetições) para que seus alunos aprendam a falar de maneira natural como os nativos.

Outra ideia legal para fazer nossos alunos aprender a falar o inglês real é fazê-los fazer entrevistas com estrangeiros. Sempre faço isso com meus alunos e os resultados são muito bons. É importante o professor ajudar na formulação das perguntas para que as respostas não sejam muito complexas. Também ensine seu aluno a fazer comentários após cada resposta. Dependendo do nível dos alunos, pode-se pedir para que eles transcrevam o áudio para perceber as características de língua falada e aprender a falar com estrangeiros. Normalmente os alunos se sentem muito felizes ao perceber que eles conseguem se comunicar fora de sala de aula. Como esse projeto dá bastante trabalho, sugiro que o professor dê tempo suficiente para que os alunos consigam realizar essa tarefa.

Para ilustrar esse tipo de projeto, mostro um trecho da transcrição de uma entrevista feita por um aluno:
SOk. This is Janelle... Janelle C? Is it?
Janelle Yeah. Janelle C.
S Ok. So, we are going to make some questions. Um, Janelle, where are you from?
Janelle I’m from Florida, I lived in Jacksonville. It’s in the very North, top of Florida.
S Oh, ok. Florida, uhuh… and what’s your hometown like?
Janelle We lived about ten minutes from the beach, so it was a very big city with lots of people, lots of cars, lots of traffic and… uh… very close to the beach. We used to go to the beach a lot.
S Oh, good! Good, good! Uh… you know that the… the weather in Belém is rainy and hot, yeah?
Janelle Oh, yeah.
S What’s the weather like there?
Janelle In Florida is almost the same as… uh… in Belém. It’s very rainy in the summer and it’s very hot a lot of the year. And in the winter… uh… from about November to February, it’s the winter any kind of colder, maybe only at night there. I don’t know Celsius, I know Fahrenheit… um… I don’t know what it is in Celsius but it is like 50 degrees Fahrenheit, it’s cold, it’s cold in Florida, but not as cold as in some one of the northern cities. It is stupid hot there, very humid.
S Uhso, what kind of clothes you like to wear?
Janelle I usually wear, I like to wear long pants… or jeans and T-shirt.
S Uh… and it’s the same you use here in Belém and you… yeah?
Janelle I brought all my clothes from America that I wear here and I… it’s the same, yeah. I’m not too hot here.

Outras maneiras interessantes de ensinar o inglês real é fazer projetos como filmes e novelinhas. Eu já fiz com meus alunos de 6a e 7a séries e eles foram muito criativos. Eles formaram grupos de 5, criaram os roteiros em inglês com a minha ajuda, filmaram e depois assistimos juntos. Foi muito divertido e eles se engajaram muito. Além deles, a diretora da escola ficou orgulhosa de ver os alunos falando em inglês. Antes de filmarmos, eles ensaiaram muito para as pronúncias estarem corretas.

Uma outra ideia que pode despertar o interesse nos alunos é a elaboração de vídeos para o Youtube com dicas sobre diversos assuntos. Para que eles se familiarizem com a língua falada, sugiro que eles assistiam a trechos do vídeo de uma adolescente americana que dá dicas de organização da mochila e materiais para levar para a escola: http://www.youtube.com/watch?v=iAn53hPgO1A

Como vocês podem notar, para que os alunos aprendam o inglês real, é necessário que eles vejam muitos exemplos antes com pessoas falando usando as pausas, marcadores discursivos, repetições e demais características da língua falada. Tomemos cuidado para não fazer nossos alunos aprenderem a falar de maneira escrita e artificial, ok?

Até breve!

Thursday, January 3, 2013

Ensinando a falar a língua estrangeira

Aula de inglês no currículo da escola! Vou aprender a falar inglês!

Essas duas sentenças podem ser ditas por um pré-adolescente ao se deparar com seu horário escolar do 6o ano do ensino fundamental. Ele pode se imaginar falando, cantando e usando a língua com turistas. 

Finalmente as aulas começam e a vontade de aprender a falar recebe um balde de água fria logo na primeira aula quando o professor coloca o verbo To Be no quadro e pede para os alunos copiarem frases soltas como a famosa "The book is on the table". A vontade se transforma em sentimento negativo e pronto, o trauma se inicia e muitas vezes é levado até o fim da vida.

Infelizmente é comum ouvir que aula de língua estrangeira em escola não ensina a falar. Por que isso acontece? São muitas as desculpas, mas acredito que se o professor tiver vontade, as quatro habilidades podem ser ensinadas sim. Para tanto, é importante conhecermos as diferenças entre língua falada e língua escrita. 

Um dos equívocos que cometemos com nossos alunos é fazê-los responder em sentenças ditas completas quando perguntamos algo em inglês. Por exemplo, quando perguntamos: "What is your favorite color?" Ensinamos que o correto é responder assim: "My favorite color is _________." Normalmente há um aluno que indaga se pode falar só a cor e dizemos que isso é errado. Excuse me, isso é errado? Então temos que falar para todos os nativos de língua inglesa que eles estão falando errado quando não respondem usando todas as palavras. Até mesmo em português, quando estamos conversando, não costumamos usar sentenças ditas completas para responder. 

Para que ensinemos nossos alunos a falar uma língua real, a que os nativos falam, é importante estudar mais sobre a língua falada. Dois livros que me ajudaram muito foram o From Corpus to Classroom do Michael McCarthy e o Longman Grammar of Spoken and Written English do Biber e outros autores. Fiquei maravilhada ao descobrir que há muitas diferenças entre a fala e a escrita e comecei a ensinar o inglês real. 

Para começar, aprendi que tenho que ensinar as palavras e expressões mais frequentes na fala. Por exemplo, a frase de duas palavras mais frequente dita pelos americanos é "You know". Essa frase pode aparecer no início, no meio ou no fim de alguma fala. Outras palavras ou marcadores discursivos muito frequentes são "Well" e "uh". 

Se queremos ensinar o inglês falado de verdade para nossos alunos, temos a obrigação de ensiná-los com as características próprias dessa habilidade. Para nos ajudar nessa tarefa, alguns livros foram lançados com esse objetivo. Um deles é a coleção Touchstone da Cambridge http://www.cambridge.org.br/catalogue/young-adult-adult-learners?touchstone&item=404931 
Você também pode ver o site que os alunos podem usar para fazer diversos exercícios: http://www.cambridge.org/us/esl/touchstone/student/index.html

Outros livros maravilhosos e que ensinam o inglês falado nos Estados Unidos com diálogos reais da vida são os On Speaking Terms 1 e 2, da Eliana Santana-Williamson - http://elt.heinle.com/cgi-telt/course_products_wp.pl?fid=H2S&series_id=1000002122&discipline_number=301. Os usei para ensinar inglês para pessoas do Cazaquistão que estavam passando uma temporada de três meses nos EUA. Elas ficaram impressionadas quando o diálogo que tínhamos estudado sobre a interação em um restaurante americano foi exatamente o mesmo que usaram quando elas foram jantar. Sucesso total na interação!

Para aprendermos mais sobre o assunto de língua falada, sugiro a leitura do pequeno artigo com o título "Are non-native speakers able to converse?" da Eliana Santana-Williamson nesse link: http://www.catesol.org/Santana-Williamson.pdf Outro artigo muito interessante é o Ten criteria for spoken grammar do Mccarthy no link: http://www.cambridge.org/us/esl/touchstone/images/pdf/Ten%20criteria%20for%20a%20spoken%20grammar.pdf

No próximo post mostrarei atividades práticas para ensinar o inglês falado real em nossas aulas.

Até breve!

Wednesday, January 2, 2013

Dicas de aprendizagem

Quero aprender uma língua estrangeira. Vou me matricular em um curso e pronto!

Como muitos alunos acreditam que basta ir para as aulas para aprender uma língua estrangeira, é extremamente importante ensiná-los a aprender. Para que os alunos obtenham resultados positivos, sugiro ensinar essas dicas nas primeiras aulas do semestre.

Na primeira faço a tabela mostrada no post anterior e na aula seguinte converso com os alunos sobre o texto que preparei há alguns anos com a revisão da minha querida amiga e professora Walkyria Magno e Silva.

Antes eu entregava uma cópia do texto para cada aluno, mas para evitar gasto de papel à toa, tenho colocado um arquivo com essas dicas no grupo que faço para minhas turmas no Facebook. Assim os alunos podem sempre ter acesso a essas informações sem perigo de perdê-las.

Vamos ao texto:


Universidade Federal do Pará
Instituto de Letras e Comunicação


Dicas para aprender uma língua estrangeira com sucesso


1.       Reserve um tempo para a língua inglesa todos os dias. É imprescindível ter o máximo de contato com a língua que você deseja aprender. Ouça e cante músicas na língua de sua opção, veja filmes, leia sites na internet e copie as conversações, sentenças, palavras e verbos do livro e outros materiais que você tiver disponível. Se você dispor de apenas 10 ou 15 minutos por dia, não tem problema, use bem este tempo. A aprendizagem de uma língua requer esforço e dedicação. Não adianta somente comparecer ás aulas e não rever o que foi ensinado em casa. O treino e a prática são fundamentais para seu sucesso!

2.      Errar faz parte da aprendizagem. Não tenha medo ou vergonha de cometer enganos. Qualquer processo de aprendizagem leva um certo tempo para se tornar automático. Não exija demais de você. Não somos perfeitos. Reflita sobre o que está errando e procure encontrar maneiras de sanar o problema.

3.   Estude com alguém. Estudar com um colega, amigo ou familiar nos ajuda a perceber nossas dificuldades e treinar as conversações e diálogos do livro. Simulem situações do cotidiano e tentem se comunicar na língua estrangeira que você está estudando. Você verá que rapidamente sua mente irá absorver os conteúdos!

4.        Use e abuse da internet e tenha um e-mail com a comfiguração na língua que você está estudando. O uso da internet abre um mundo de possibilidades na aprendizagem de uma língua estrangeira. Entre em chats na língua de sua opção sempre que possível e arrume um keypal (amigo virtual) que esteja aprendendo a língua assim como você. Além de você fazer amizades, você irá ler e escrever em inglês de uma forma real. Tente ler sites internacionais de jornais e revistas dos países onde se fala a língua que você está estudando. Mesmo que você não consiga entender 100% da leitura, você será capaz de pelo menos ter uma idéia do que o assunto trata através das imagens presentes nos textos.

5.        Adote um diário. Anote como você está se sentindo durante o processo de aprendizagem da língua estrangeira. Escreva sobre suas expectativas, dificuldades e o que você tem feito para solucionar eventuais problemas. É importante você refletir sobre como está aprendendo para saber como você aprende melhor.

6.        Estabeleça objetivos claros. Porque você quer aprender esta língua estrangeira? Para se comunicar? Para seu trabalho? Para   usar a internet? Para conseguir um emprego melhor? Tenha o seu objetivo bem claro e vá ao encontro dele! Procure estabelecer objetivos palpáveis a cada semana ou mês, isso vai ajudar você a aprender mais e melhor. Por exemplo: nesta semana irei aprender como me apresentar; irei aprender 10 verbos; irei aprender as partes da casa, irei aprender como escrever os números até 100, etc.

7.        Tenha paciência. Aprender um idioma estrangeiro requer bastante tempo quando não se está no lugar onde se fala a língua a ser aprendida. Não fique frustrado se você não estiver aprendendo tão rapidamente como estava esperando. Fique feliz com seus esforços e vá em frente!

8.        Não falte aulas e seja pontual. A freqüência e a pontualidade são duas condições muito importantes para seu sucesso no aprendizado da língua. Você deve procurar não perder as explicações do professor e a prática em sala de aula. Coloque estas condições como prioridades na sua agenda e logo os bons resultados aparecerão.

9.        Participe das aulas sempre. Não tenha vergonha. Todos estamos aqui para aprender. Não se julgue inferior a ninguém. Fale, repita e pratique o máximo que você puder. O tempo das nossas aulas é precioso para praticar, praticar e praticar!

10.     Conte com o professor. Ele está na sala para tentar ajudar você da melhor forma possível. Peça para ele esclarecer quaisquer dúvidas que você venha a ter. J 


Cintia Costa e Walkyria Magno e Silva


Fazer o aluno se conscientizar sobre a responsabilidade sobre sua própria aprendizagem é muito importante para obter resultados positivos. 

Até breve!

Tuesday, January 1, 2013

Ensinando a aprender

É comum ouvir relatos de pessoas que concluíram cursos de línguas dizendo que não aprenderam bastante mesmo depois de cursos de 5 anos de duração. Isso aconteceu comigo também.

Comecei a ter aulas de inglês aos 6 anos em um curso de línguas. Na escola, lembro das aulas de inglês a partir da 1a série do ensino fundamental. Eu amava inglês e ia para as aulas com muito gosto. Os anos foram passando e frequentei vários cursos de línguas até terminar um curso aos 18 anos. Eu achava minha pronúncia legal, mas não conseguia conversar em inglês. Quando precisei usar a língua com estrangeiros, não consegui. Isso me fez ficar muito frustrada.

Esse problema só foi resolvido quando li o livro Language Learning Strategies - what every teacher should know, da Rebecca Oxford. Vários segredos foram revelados a medida que eu lia cada página! Finalmente eu descobria como realmente aprender uma língua! Decidi então que nenhum aluno meu iria sofrer essa frustração que sofri.

A partir desse momento, elaborei um texto com dicas de aprendizagem e passei a ensinar meus alunos a aprender uma língua estrangeira. Para tanto, uso as duas primeiras aulas do semestre para conversar com os alunos sobre essas estratégias.

Na primeira aula, faço uma tabela no quadro como essa abaixo. Com a ajuda dos alunos, pergunto o que se deve fazer para aprender e praticar cada habilidade, como adquirir vocabulário e onde podemos praticar a língua. Vou preenchendo a tabela de acordo com as sugestões deles (tenho cuidado para deixá-los falar para não ficar uma palestra). A tabela fica mais ou menos assim:

Compreensão Oral
Ouvir música com a letra
Assistir a filmes legendados
Obter livros com fita ou cd 

Compreensão Escrita
Leitura de livros
Leitura de revistas
Leitura de textos na Internet

Aquisição de Vocabulário
Elaborar um dicionário pessoal
Categorizar as palavras aprendidas
Estudar grupos de palavras todas as semanas (comida, vestuário, esportes, partes da casa, etc.)
Produção Oral
Cantar músicas
Repetir diálogos em fitas ou cds
Ter um keypal - www.livemocha.com
Estudar expressões idiomáticas

Produção Escrita
Copiar diálogos
Copiar receitas
Copiar letras de músicas
Copiar textos de interesse próprio
Chat
Lugares para empréstimo e uso de materiais
Biblioteca do CCBEU (é pública e os alunos podem se cadastrar, custa poucos reais por ano)
Laboratório de informática - UFPA
Laboratório de línguas - UFPA
Comunidades de americanos (AVA em Belém)

Essa aula é muito importante porque os alunos aprendem que o maior responsável pela aprendizagem é o próprio aluno e não o professor. Deixo claro que só vir para as aulas não é garantia de aprendizagem e que eles precisam estudar todos os dias por pelo menos 10 minutos por dia. É nesse momento que alguns se queixam que têm dificuldade para falar em inglês, por exemplo. Aí pergunto quanto tempo ele passa praticando a produção oral para acabar com essa dificuldade... Não é surpresa ouvir que não pratica nada... Argumento que essa "dificuldade" é falta de prática e que para falar fluentemente, é necessário estudar durante horas e horas.

Na aula seguinte converso com eles sobre o texto com dicas de aprendizagem, que mostrarei no post de amanhã.

Até breve e feliz 2013!